No Exército esse problema já foi muito sério. Não era difícil encontrar baratas, besouros e afins no meio da comida do rancho ou passeando pelos corredores na companhia de roedores. A mesma pessoa que limpava os detritos do rancho e levava o lixo para fora era quem temperava e preparava os alimentos. Ainda bem que esse comportamento mudou, ou tem mudado.
O fato é que, em Garanhuns, quando eu servia na Companhia de Comando e Apoio de lá, o sargonto-de-dia interpelou um dos soldados do pelotão de suprimento - pelotão responsável(?) por fazer a comida - se ele havia sofrido algum acidente.
- Não, sargento, não aconteceu nada, só preciso de um banho. - negou o soldado e continuou sua trajetória na direção do alojamento.
- Mas, soldado, você está com o seu braço todo roxo! O que foi isso? - perguntou o sargento sem entender aquela esquisitice.
- Ah, isso? É que não tem fruta pro suco do almoço, então o Cabo Guima me mandou preparar suco de uva em pó (Q-suco ou "mancha-pulmão", no nosso jargão de quartel) para servir. Usei o braço para mexer o tacho.
- Quê?! Tá de saca(nagem)?! - indignado o sargento - Você meteu esse braço imundo e suado no suco do almoço? Por que não utilizou aquela ripa de madeira (acumulava todo tipo de sujeira) que vocês colocaram no lugar da colher de madeira (também acumulava sujeira) que quebrou?
- Até que eu procurei purela, sargento - inocentemente tentou argumentar - mas um outro soldado já estava usando ela como cabo de vasoura para varrer o chão.
- Minha nossa! - abestalhou-se o sargento.
Ele veio me contar a história "oportunamente" depois do almoço. A sorte é que ninguém passou mal.
Os procedimentos no rancho começaram a mudar para melhor após esse dia.
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| A cozinha do quartel não era assim. |

Um comentário:
Isso é bobagem para o guerreiro que come cobra, carne de macaco e formiga frita na floresta. Quem se prepara pra guerra tem que fortalecer o estômago também, soldado.
Um grande abraço meu irmão.
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